Segurança Digital · Dispositivo

Roubo ou perda de celular: o que fazer agora (passo a passo)

Resposta rápida

Se o seu celular foi roubado ou perdido, aja nos primeiros minutos: bloqueie o chip pela operadora, ative o bloqueio remoto pelo Google ou Apple e avise seu banco para suspender o Pix e acesso ao app. Quanto mais rápido você agir, menor o risco de ter dados pessoais e dinheiro comprometidos. Registrar um boletim de ocorrência também é essencial para bloquear o IMEI e proteger você legalmente.

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Sinais de alerta

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Passo a passo — o que fazer

  1. 1

    Bloqueie o chip (SIM) imediatamente

    Ligue para a operadora (Claro 1052, Vivo 1058, TIM 1056, Oi 103 31) ou acesse o aplicativo ou site delas pelo computador ou outro celular. Peça o bloqueio do número e, se quiser, a portabilidade para um novo chip. O bloqueio impede que criminosos usem o número para receber códigos de verificação (SMS 2FA) das suas contas.

  2. 2

    Localize ou bloqueie o aparelho remotamente

    No Android, acesse android.com/find em qualquer navegador, entre com sua conta Google e escolha entre localizar, fazer tocar, bloquear (modo perdido) ou apagar todos os dados. No iPhone, acesse icloud.com/find ou use o app 'Buscar' em outro dispositivo Apple com o mesmo Apple ID — as opções são as mesmas. Ative o Modo Perdido para exibir um recado de contato na tela e suspender pagamentos Apple Pay.

  3. 3

    Apague os dados remotamente se necessário

    Se você não pretende recuperar o aparelho ou já confirmou o roubo, use a opção 'Apagar dispositivo' no Encontre Meu Dispositivo (Google) ou 'Apagar iPhone/iPad' (Apple). Isso restaura o aparelho de fábrica e remove todos os seus dados, fotos, senhas salvas e aplicativos. Atenção: após o apagamento, você perde a capacidade de rastreá-lo.

  4. 4

    Avise seu banco e bloqueie o acesso financeiro

    Ligue para a central do seu banco (número no verso do cartão ou no site oficial) e informe o roubo. Peça o bloqueio temporário do app bancário, do Pix e de transferências. A maioria dos bancos também permite fazer isso pelo internet banking em outro dispositivo. Troque suas senhas e, se possível, desabilite o dispositivo antigo como confiável nas configurações do aplicativo.

  5. 5

    Registre o boletim de ocorrência (B.O.)

    O B.O. pode ser feito online em minutos pelo site da Delegacia Eletrônica do seu estado (por exemplo, delegaciaeletronicasp.ssp.sp.gov.br em São Paulo). Com o número do IMEI (que fica na caixa do aparelho, na nota fiscal ou pode ser visto em *#06# antes do roubo), peça também o bloqueio do IMEI junto à ANATEL pelo site anatel.gov.br/consumidor — isso impede o uso do aparelho em qualquer operadora brasileira.

  6. 6

    Troque as senhas das contas logadas no aparelho

    Priorize as contas mais sensíveis: e-mail principal (Gmail, Outlook), redes sociais (Instagram, WhatsApp, Facebook), serviços de streaming e qualquer loja virtual que tenha cartão salvo. Acesse cada serviço pelo computador e troque a senha. Em seguida, encerre todas as sessões ativas — a maioria dos serviços tem uma opção 'Sair de todos os dispositivos' nas configurações de segurança da conta.

  7. 7

    Transfira o WhatsApp para outro número ou dispositivo

    Abra o WhatsApp no novo celular, insira seu número e confirme via SMS (que já vai chegar no chip bloqueado — a operadora pode ajudar a redirecionar). O aplicativo vai desconectar automaticamente o aparelho antigo. Se o chip novo ainda não chegou, use o WhatsApp Web ou peça à operadora para fazer a portabilidade do número para um chip temporário.

  8. 8

    Revogue tokens e sessões de e-mail e apps corporativos

    Se o celular tinha acesso a e-mail corporativo, VPN da empresa ou sistemas internos, avise o setor de TI imediatamente (veja a seção sobre BYOD abaixo). Para contas pessoais de Google ou Microsoft, acesse as configurações de segurança da conta e revogue o acesso de 'dispositivos confiáveis' e 'aplicativos de terceiros' que possam ter sido autorizados via token armazenado no aparelho.

O que NÃO fazer

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Como funciona o bloqueio remoto (Android e iPhone)

O Android oferece o serviço 'Encontre Meu Dispositivo' (anteriormente Android Device Manager), disponível em android.com/find. Basta acessar com a conta Google associada ao aparelho. O serviço funciona mesmo sem o celular conectado ao Wi-Fi — desde que ele tenha dados móveis ativos. Você pode tocar uma campainha por 5 minutos (útil quando o aparelho está por perto), bloquear com PIN personalizado exibindo uma mensagem na tela, ou apagar tudo remotamente.

O iPhone e o iPad têm o sistema 'Buscar' (Find My), acessível em icloud.com/find ou pelo app Buscar em outro dispositivo Apple com o mesmo Apple ID. Além das mesmas funções de toque, bloqueio e apagamento, o Modo Perdido desativa automaticamente o Apple Pay e exibe na tela um número de telefone para contato. O aparelho ainda aparece no mapa mesmo com a bateria descarregando, graças à rede anônima de dispositivos Apple.

Para que esses recursos funcionem, é necessário que o serviço esteja ativado antes da perda — o que reforça a importância da prevenção. Em aparelhos Android, vá em Configurações > Google > Encontre Meu Dispositivo e verifique se está ativado. No iPhone, acesse Ajustes > [seu nome] > Buscar > Buscar iPhone e ative todas as opções, incluindo 'Rede Buscar' e 'Enviar localização por último'.

Registrar o boletim de ocorrência e bloquear o IMEI

O IMEI (International Mobile Equipment Identity) é o número de série único de cada celular, com 15 dígitos. Você pode encontrá-lo na caixa do aparelho, na nota fiscal de compra ou digitando *#06# antes do roubo. Guarde esse número em um lugar seguro — ele é essencial para o bloqueio.

Com o IMEI em mãos, acesse o site da ANATEL (anatel.gov.br/consumidor) e registre a solicitação de bloqueio. Você também pode ligar para o número 1331 da ANATEL. O bloqueio impede que o aparelho se conecte a qualquer operadora no Brasil, tornando-o inútil para uso como telefone. Em São Paulo, o B.O. online está disponível em delegaciaeletronicasp.ssp.sp.gov.br; outros estados têm portais equivalentes — uma busca por 'delegacia eletrônica [seu estado]' no Google encontra o portal correto.

Além de colaborar com o bloqueio, o B.O. cria uma proteção legal para você. Se o criminoso usar o celular para cometer crimes (golpes financeiros, fraudes) ou se houver cobranças indevidas na sua conta por serviços que ele contratou usando seus dados, o registro de data e hora do boletim comprova que o aparelho não estava mais sob sua posse.

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Protegendo suas finanças: banco, Pix e carteiras digitais

Aplicativos bancários modernos permitem registrar dispositivos confiáveis — uma vez que um celular é marcado como confiável, transações podem ser feitas sem autenticação adicional. Por isso, é fundamental revogar o status do aparelho roubado no internet banking (acessível pelo computador). Nos aplicativos do Nubank, Itaú, Bradesco, Santander e Caixa, há uma seção de 'Dispositivos cadastrados' ou 'Segurança' onde você pode remover o aparelho perdido.

O Pix merece atenção especial: como é instantâneo e funciona 24 horas, é a modalidade preferida por criminosos. Além de bloquear o acesso ao app, considere reduzir temporariamente o limite do Pix noturno (entre 20h e 6h, os limites são menores por padrão desde a regulamentação do Banco Central). A maioria dos bancos também permite cadastrar uma 'Chave de Segurança do Pix' adicional.

Se você usava carteiras digitais como Google Pay, Samsung Pay, Apple Pay ou Mercado Pago, é importante desvinculá-las. No Google Pay, acesse pay.google.com pelo computador e remova o dispositivo. No Apple Pay, o próprio Modo Perdido já suspende os pagamentos automaticamente. Para o Mercado Pago, acesse o site e vá em Configurações > Segurança > Dispositivos.

Celular corporativo ou BYOD: avise a TI agora

Se o celular roubado era um dispositivo corporativo ou um aparelho pessoal com acesso a sistemas da empresa (modelo BYOD — Bring Your Own Device), o risco vai além das suas contas pessoais. E-mails corporativos, documentos internos, acesso a VPN, sistemas de gestão (ERP, CRM) e até conversas confidenciais de clientes podem estar expostos.

Avise o setor de TI ou o responsável pela segurança da empresa imediatamente — independentemente do horário. A maioria das empresas com política de segurança madura tem um plantão ou um número de emergência para exatamente esse tipo de situação. Com uma solução de MDM (Mobile Device Management), a TI consegue fazer o wipe remoto do perfil corporativo sem apagar seus dados pessoais, revogar certificados de acesso e remover o dispositivo da lista de equipamentos autorizados.

Sem MDM, o processo é mais trabalhoso: a TI precisará revogar manualmente tokens de acesso, trocar senhas de contas de serviço que estavam configuradas no aparelho e verificar nos logs de acesso se houve alguma atividade suspeita após o horário do roubo. Por isso, quanto antes você avisar, maior a janela de contenção. Empresas que ainda não têm uma política formal de gestão de dispositivos móveis deveriam considerar isso uma prioridade — a Decripte pode ajudar nessa estruturação.

Prevenção: o que fazer antes de perder o celular

Use um PIN forte com no mínimo 6 dígitos — de preferência aleatório, não datas de aniversário ou sequências numéricas. Ative a biometria (impressão digital ou reconhecimento facial) como segunda camada, mas saiba que em situações de coerção física o PIN pode ser exigido — no iOS, o 'Modo Bloqueio' (Lockdown Mode) e a opção 'SOS de Emergência' (segurar botão lateral + volume) desativam o Face ID temporariamente. Em aparelhos Samsung, há um 'Modo Manutenção' para proteção em reparos.

Proteja aplicativos sensíveis com uma camada extra de autenticação. No Android, muitos launchers e apps bancários permitem exigir impressão digital para abrir o app, independentemente do desbloqueio do celular. No iPhone, o Face ID protege nativamente apps bancários e o próprio Notes com notas bloqueadas. Nunca deixe o app do banco aberto em segundo plano sem proteção.

Mantenha backups recentes ativados. No Android, vá em Configurações > Google > Backup. No iPhone, use o iCloud Backup em Ajustes > [seu nome] > iCloud > Backup do iCloud. Com um backup atualizado, você restaura todas as suas configurações, fotos e apps em um novo celular em minutos, sem perda de dados importantes. Faça o backup pelo menos uma vez por semana — ou deixe o automático ativado no Wi-Fi.

Termos importantes

IMEI
International Mobile Equipment Identity — número de identificação único de 15 dígitos de cada aparelho celular, usado pelas operadoras e pela ANATEL para identificar e bloquear dispositivos independentemente do chip (SIM card) utilizado.
SIM swap
Golpe em que criminosos convencem a operadora a transferir o número de telefone da vítima para um chip novo em posse deles, assumindo o controle do número e podendo receber todos os SMS de verificação das contas da vítima.
MDM (Mobile Device Management)
Solução de software usada por empresas para gerenciar dispositivos móveis corporativos ou pessoais com acesso a sistemas da organização. Permite instalar e remover apps, aplicar políticas de segurança e fazer o wipe remoto de dados corporativos em caso de roubo ou desligamento de funcionário.
BYOD (Bring Your Own Device)
Política empresarial que permite que funcionários usem seus próprios celulares, tablets e notebooks para acessar sistemas e e-mails corporativos. Exige uma política de segurança clara, que geralmente inclui o uso de MDM para proteger os dados da empresa no dispositivo pessoal.

Perguntas frequentes

Posso rastrear meu celular roubado mesmo sem internet no aparelho?

Depende do sistema. O Android precisa de conexão (dados móveis ou Wi-Fi) para aparecer no mapa em tempo real, mas registra a última localização conhecida antes de ficar offline. O iPhone vai além: mesmo sem internet, ele usa a rede 'Buscar' da Apple — dispositivos Apple próximos detectam o sinal Bluetooth do seu aparelho e transmitem a localização de forma anônima e criptografada. Isso aumenta significativamente as chances de localização mesmo com o chip bloqueado.

O que é o IMEI e onde encontro o do meu celular?

O IMEI (International Mobile Equipment Identity) é o número de identificação único do seu aparelho, com 15 dígitos. Você pode encontrá-lo na caixa do celular, na nota fiscal de compra, nas configurações do aparelho (Configurações > Sobre o telefone no Android, Ajustes > Geral > Informações no iPhone) ou digitando *#06# no discador. Guarde esse número em um local seguro — ele é necessário para solicitar o bloqueio na ANATEL após um roubo.

O criminoso pode desbloquear meu celular mesmo com PIN e biometria?

Com as proteções ativas, é extremamente difícil. Aparelhos modernos se bloqueiam após múltiplas tentativas erradas de PIN e podem apagar os dados automaticamente após 10 tentativas (opção disponível no iPhone). A biometria adiciona uma barreira extra. O maior risco não é o desbloqueio físico, mas sim o acesso a contas via SMS de verificação — daí a importância de bloquear o chip imediatamente para impedir que o criminoso receba códigos de autenticação no seu número.

Posso fazer o B.O. pela internet ou preciso ir a uma delegacia?

Na maioria dos estados brasileiros, você pode registrar o boletim de ocorrência de roubo ou furto de celular totalmente online, sem precisar ir a uma delegacia. Em São Paulo, acesse delegaciaeletronicasp.ssp.sp.gov.br. No Rio de Janeiro, use delegaciaonline.pcerj.rj.gov.br. Outros estados têm portais equivalentes — busque por 'delegacia eletrônica' + nome do seu estado. O B.O. online tem validade legal idêntica ao presencial para fins de bloqueio do IMEI e contestações junto ao banco.

O banco é obrigado a reembolsar transações feitas com meu celular roubado?

Depende das circunstâncias. O Banco Central e o Código de Defesa do Consumidor estabelecem que, em casos de fraude e uso indevido comprovados, o banco deve analisar o pedido de ressarcimento. Se você avisou o banco rapidamente, tem o B.O. registrado e não houve negligência da sua parte (como deixar o PIN anotado no celular), as chances de reembolso são maiores. Cada banco tem um prazo e um processo para contestação — em geral entre 5 e 10 dias úteis para a resposta inicial. Se o banco negar sem justificativa adequada, você pode registrar reclamação no Banco Central (bcb.gov.br/meubc) e no Procon.

O que é o 'Modo Perdido' e como ele é diferente do apagamento remoto?

O Modo Perdido (iOS) ou Bloqueio Remoto (Android) trava o aparelho com um PIN que você define e exibe uma mensagem personalizada na tela — geralmente um número de telefone para quem encontrar o aparelho entrar em contato. Ele mantém seus dados intactos e continua rastreando a localização. O apagamento remoto, por outro lado, restaura o celular de fábrica e remove todos os dados permanentemente — e com isso você também perde a capacidade de rastreá-lo. A recomendação é: use o Modo Perdido primeiro e só apague os dados se tiver certeza de que o aparelho não será recuperado.

Minha empresa usa BYOD. Quem é responsável pelos dados corporativos no meu celular pessoal?

Em modelos BYOD sem política formal, a responsabilidade é compartilhada de forma confusa — e o roubo do celular pessoal pode expor a empresa a incidentes de segurança sérios. Em políticas BYOD bem estruturadas, a empresa instala um perfil MDM que cria uma 'bolha corporativa' no aparelho: dados da empresa ficam em um container separado, que pode ser apagado remotamente sem tocar nos seus dados pessoais. Se sua empresa não tem uma política clara de BYOD e MDM, avise a TI sobre o roubo assim que possível e documente tudo — isso protege você e a organização em caso de investigação posterior.

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